Brasil é um dos países que mais gasta com educação. Por que ainda temos baixos índices na área?

Na semana passada, 15 de abril, o site Statista, especializado em reunir estatísticas provenientes de mais de 18000 base de dados, preparou um gráfico com os países que mais investem em educação. O Brasil ocupa o 3º lugar no gráfico, com 19,2% de seus gastos públicos no setor. Perde apenas para a Nova Zelândia (21,6%) e México (20,5%), com uma diferença considerável para o 4º lugar, a Coréia do Sul (16,5%).

Alunos do ensino superior recebem mais investimento per capita.

Alunos do ensino superior recebem mais investimento per capita.

Os dados não são exatamente uma novidade, pois foram publicados pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico – a OECD – em setembro do ano passado. No entanto, eles ressurgem contrastando com o relatório divulgado pela UNESCO no começo do mês de abril sobre como, apesar do país ter aumentado seus investimentos em educação, ainda  não cumpriu as metas estabelecidas em 2000 no Marco de Ação de Dakar.

De acordo com o relatório da UNESCO, o país atingiu apenas duas das seis metas: universalizar o acesso à educação primária e incluir meninos e meninas na escola, independente do gênero. Reduzir o analfabetismo de adultos, garantir educação de qualidade aos jovens e crianças com menos de 5 anos de idade continuam sendo um desafio.

Mas então onde este dinheiro vem sendo gasto?

Um artigo da BBC Brasil, publicado logo após a divulgação do relatório da OECD, ilustra bem a realidade do país. Apesar de gastar mais de seu PIB em educação do que os países ricos, o Brasil é o penúltimo no ranking da mesma OECD em investimento por aluno. A educação de um brasileiro é feita com um terço do valor gasto com um estudante em um país rico, em média. Isto porque, apesar do alto investimento nacional, tal valor é dividido por um grande número de alunos, diluindo-se.

O total investido é bem alto, representando 6,1% do PIB do país, enquanto a média de investimentos dos países em todo o mundo, de acordo com a OECD, é de 5,6%. No entanto, no Brasil, cada estudante teria uma educação de US$2.985, enquanto a média da OECD é de US$ 8.952.

Países desenvolvidos vêm ivnestindo em educação há decadas e precisamos investir mais para alcançá-los.

Países desenvolvidos vêm ivnestindo em educação há decadas e precisamos investir mais para alcançá-los.

Os dados corraboram com o fato de que pouco é investido nos ensinos fundamental e médio, onde encontram-se 84,5% dos estudantes brasileiros. Já as instituições públicas de ensino superior gastam 4 vezes mais por aluno, a maior diferença entre todos os países que têm tais dados disponíveis.

Investimentos X Qualidade

Os investimentos podem até ocupar grande parte de nosso PIB, no entanto, a maior parte dos especialistas concordam em um ponto: é necessário otimizar recursos. Isto se refere principalmente à qualidade de ensino oferecida, o principal desafio do país para os próximos anos.

Além de melhorar a infraestrutura e segurança nas escolas, oferecendo condições adequadas para estudantes e professores, é necessário investir mais adequadamente na capacitação dos docentes. Isto inclui também valorizar mais a categoria, oferecendo melhores salários.

E isto, logicamente, demanda ainda mais investimentos, o que é inevitável, já que ainda não chegamos ao patamar das nações ricas, que vêm investindo no setor há anos.

Educação Superior e Privilégios

É preciso investir em capacitação de nossos universitários mas fazê-los retribuir de forma mais intensa à sociedade.

É preciso investir em capacitação de nossos universitários mas fazê-los retribuir de forma mais intensa à sociedade.

Embora a pesquisa explique que o investimento total com um aluno brasileiro é menor que o do resto do mundo – do ensino básico ao superior, o brasileiro recebe investimento de US$ 1303 por ano, enquanto países como Noruega investem 10 x mais que isto – o estudante do ensino superior receba mais investimento que o da educação básica.

De acordo com o relatório, o gasto por aluno da educação superior corresponde a 93% do PIB per capita. Ou seja, dos US$1303, 93% iria para educação superior, o que sabemos não acontece, já que nem todos chegam a tal estágio.

Os graduados em uma universidade no país também desfrutam de outros privilégios: ganham 2,5 vezes mais do que os profissionais que não fizeram universidade e enfrentam menor taxa de desemprego.

É portanto deles a responsabilidade de devolver ao país parte de seu conhecimento, voc6es não acham?

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